19 de set. de 2010

TEXTO APRESENTADO NO ENCONTRO DE ACOLHEDORAS

ACOLHIMENTO. Leia o belo texto que a Psicóloga Catia Martins, da 2ª VRIJI, elaborou para ser apresentado no encontro com acolhedoras no dia 17 de setembro.

Tia, mãe...
Às vezes não sei bem como chamá-la.
Não sei também como fui parar na sua casa,
que é tão diferente da minha.
Não consigo me acostumar com o fato das pessoas decidirem sobre a minha vida,
quase sempre sem me consultar,
mandando-me de um lado para o outro,
menos para o local aonde eu quero ir.
Quem disse que minha mãe não é boa?
Só porque ela não me matriculou na escola?
Só porque eu ficava na rua?
Só porque ela sumia de vez em quando?
É... reconheço que às vezes eu me sentia sozinho e com medo,
sem confiança de que minha mãe iria me proteger.
Também ficava com medo de me baterem novamente...
De me forçarem a fazer o que eu sei que estava errado...
Ficava também confuso
entre gostar da minha mãe e não gostar.
Porque ela é boa e má.
E você tia? É boa ou má?
Vai ser igual à minha mãe?
Vai me bater se eu fizer algo errado?
Vai me tratar diferente das outras pessoas da casa?
às vezes torço para dar tudo errado e eu poder voltar para a casa
da minha mãe.
Mas às vezes eu também torço pra você ser bem legal,
pra você me ouvir, me entender e ser carinhosa comigo...
Mas... e se eu gostar de você?
Mais do que da minha mãe não pode.
Já que estou aqui,
vamos ver o que vai acontecer...
Mas tenha paciência comigo,
eu preciso aprender a ser feliz.

Autorizado por:http://2vriji.blogspot.com

TRANSTORNO AFETA 67% DAS CRIANÇAS QUE TRABALHAM NA RUA

Confira matéria do Jornal O Estado de S. Paulo, sobre pesquisa realizada na capital paulista pela Unifesp, mas que reflete a realidade das crianças de rua de todo país.

Além de sofrerem violência física em casa, 67% das crianças que trabalham nos semáforos das ruas de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, e dos Jardins, zona sul, apresentam transtornos emocionais. De 185 que trabalham nessas áreas, 124 têm problemas como hiperatividade, fobias e depressão. Entre as crianças analisadas, todas tinham nível de estresse superior aos limites normais.
O diagnóstico resulta de pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), finalizada na semana passada. Entre as crianças emocionalmente abaladas, 27% têm diagnóstico fechado para distúrbios graves, como déficit de atenção e hiperatividade, transtorno de conduta (personalidade antissocial), depressão, fobias, enurese (urina durante o sono, ligada a questões emocionais) e transtorno de oposição e desafio (agressividade).
Nos depoimentos, as crianças falam em abusos sexuais (15,5% afirmaram terem sido molestadas nos semáforos), situações de violência (32,8% disseram ter sofrido espancamento) e abusos emocionais (31,6% sofrem xingamentos constantes de motoristas – o que traumatiza principalmente as mais novas).
“A pesquisa é representativa de toda a periferia da capital paulista. Retrata a situação de famílias desestruturadas, que têm renda miserável e não veem outra opção a não ser trabalhar nas ruas”, disse a coordenadora do estudo, Andrea Feijó de Mello, pesquisadora do Programa de Atendimento e Pesquisa em Violência (Prove) da Unifesp. “Há milhares de crianças assim, a maioria não atendida por programas assistenciais.”
Fonte :  O ESTADÃO